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A TELEMEDICINA APLICADA POR ACADÊMICOS DE MEDICINA NA TRIAGEM DE PACIENTES COM SINTOMAS DE COVID-19
Jefferson Cunha, José Ribamar Fernandes Saraiva Junior, Lucas Duda Schmitz, Márcia Rodrigues Capellari, Luiz Artur Rosa Filho

Última alteração: 2020-10-27

Resumo


1 INTRODUÇÃO

Telemedicina é uma especialidade da telessaúde que oferece teleconsulta para diagnósticos, tratamentos ou interconsultas, permitindo a interpretação de exames e a emissão de laudos médicos a distância. Além de fornecer acompanhamento síncrono de pacientes e profissionais da saúde.

A telemedicina teve grandes avanços desde a década de 90, com a criação da Internet, e vem adquirindo um crescente papel em nosso cotidiano. Contudo, o surgimento da modalidade remonta à década de 50, através de teleconsulta por telefone (GARCIA CUYAS et al, 2018). Pode-se definir o uso dessa tecnologia como uma alternativa estratégica à descentralização e acesso aos serviços de saúde, possibilitando a redução de custos, presença de profissionais em áreas desassistidas, além de diminuir a necessidade de deslocamento dos pacientes em busca de atendimentos (CORRÊA; ARREGUY; SANTOS, 2008).

Com isso, as teleconsultas médicas foram implantadas em vários países, devido ao seu potencial para superar distâncias, na necessidade de ofertar assistência médica em menor tempo, diminuindo custos e carga de trabalho (CATAPAN; CALVO, 2020).

A teleconsulta médica foi aprovada nos Estados Unidos, com certas restrições, em 2017. Na Europa 24 países a prática da telemedicina possui legislação específica para sua empregabilidade. Em países como Canadá, Austrália, Japão e México já há um sistema de tele consulta médica implementado em larga escala. No Brasil, as teleconsultas, até março de 2020, eram permitidas para algumas áreas, como fonoaudiologia, psicologia e enfermagem, sob condições específicas ou com certas restrições (SCHIMTZ, 2017).

No estado do Rio Grande do Sul, o serviço de teleoftalmologia, ofertado pela Atenção Primária em Saúde, gera 1.080 laudos de telediagnóstico oftalmológico por mês. Reduzindo os custos e as filas de espera na especialidade (ZANOTTO et al, 2020).

Com a pandemia de coronavírus, restrições às viagens e o distanciamento social tornou-se um novo normal. Esse surto de pandemia tornou a telemedicina mais relevante do que nunca. O seu potencial de ajudar, permitindo que pacientes levemente doentes obtenham os cuidados de suporte de que precisam, minimizando sua exposição a outros pacientes agudos (PORTNOY; WALLER; ELLIOTT, 2020)..

Em um estudo na Índia, avaliando o uso da telemedicina na pandemia, concluiu-se que, durante o surto de COVID-19, um paciente percebe que a telemedicina é útil e mais adequada para a prestação de serviços de saúde do que nunca. O paciente está mais disposto a experimentar a telemedicina no cenário atual, o que resultará em maior adoção da telemedicina no mundo pós-COVID. Os pacientes encontraram motivação extrínseca, como custo reduzido e necessidade reduzida de viagens para fazer uso de instalações de telemedicina (MISHRA, 2020).

No Brasil, a prática de telemedicina somente foi aprovada, em larga escala, por uma portaria em caráter excepcional e temporário, visando, devido a pandemia de Covid-19, a necessidade de buscar alternativas que auxiliassem o sistema de saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020).

O presente estudo objetiva descrever o projeto de telemedicina desenvolvido no curso de medicina da Faculdade IMED para auxiliar no atendimento e teleorientação médica no combate à pandemia de COVID-19. Promovendo pré-triagem de pacientes, visando reduzir aglomerações em serviços de saúde e, a partir disso, reduzir a disseminação e contaminação nesses espaços.


2 METODOLOGIA

Foram criadas três estações de teleatendimento na Biblioteca Virtual do Hospital Escola Hospital de Clínicas/IMED, composta por computadores com webcam, que formaram a Central de Teleorientação Médica IMED. Os pacientes, através de propagandas em redes sociais e matérias veiculadas em meios de comunicação, recebiam as orientações do número que poderiam solicitar atendimento via o aplicativo Whatsapp. Ao enviar uma mensagem para o número telefônico da central, eram atendidos por alunos do quinto ano do curso de medicina da IMED, que enviaram o link para a videoconsulta.

Após, iniciava-se a teleorientação, realizando uma triagem de sintomas da síndrome gripal e, de acordo com os sinais e sintomas referidos pelo paciente, eram fornecidas orientações conforme os manuais do Ministério da Saúde: sintomas leves isolamento domiciliar; sintomas moderados buscar atendimentos em Unidades Básicas de Saúde; sintomas graves buscar emergências de hospitais.

Foi elaborada uma escala de professores médicos para preceptorar as equipes de alunos durante os teleatendimentos. Sendo todos médicos professores da Escola de Medicina da IMED.

Após o acadêmico coletar as informações com o paciente, os casos eram debatidos com o preceptor, que poderia estar presencialmente ou acessar a sala de vídeo consulta e sanar as dúvidas e, dessa forma, ajudar na tomada de decisões e fornecer os esclarecimentos corretamente.


3 RESULTADOS

Foram realizados 96 atendimentos no período de abril a maio de 2020. Sendo 62 atendimentos para pacientes sintomáticos, que receberam orientações de acordo com a gravidade dos seus sintomas e contactantes. Também foram realizados 34 atendimentos para sanar dúvidas acerca de sintomas, medicações e conhecimentos gerais sobre a pandemia e o vírus.

A central prestou atendimento para oito cidades de três estados do Brasil, ultrapassando as barreiras geográficas.

Além disso, foram encaminhadas as necessidades de atendimento imediato diretamente para equipes de Unidades Básicas de Saúde e Emergência, na cidade de Passo Fundo, em quatro ocasiões.


4 CONCLUSÕES

A telemedicina tem como princípio aproximar pessoas com serviços de atendimentos em saúde. Podendo ser aplicada como monitoramento de pacientes, interconsulta entre profissionais, baratear custos com serviços e diminuir distâncias.

A experiência da central de teleorientação possibilitou comprovar as aplicações e limitações da modalidade.

Dentre as oportunidades de uso da telemedicina, observamos que consultas que não necessitam obrigatoriamente de exame físico, principalmente em sistemas de triagem e saúde mental, a modalidade tem muita aplicação. Além disso, possibilita acompanhamento remoto de pacientes já em tratamento, sanando dúvidas e aproximando ainda mais profissional e paciente. Dessa forma, o atendimento fornecido se torna mais individualizado e efetivo. Ademais, a interconsulta pode ocorrer mesmo que os profissionais estejam em locais distintos, possibilitando discussão de condutas de forma remota e sincrônica.

Nas limitações encontradas, a ausência de exame físico impossibilitou algumas tomadas de decisões. Com isso, os pacientes precisaram ser orientados a buscar atendimento presencial. Além disso, alguns atendimentos tiveram problemas técnicos por incompatibilidade de software e smartphones ou problemas de conexão com a internet.

A falta de experiência com a modalidade e conhecimento sobre telepropedêutica pode ter acarretado com o desfecho encaminhar para serviço presencial. Com isso, observa-se a necessidade de debater e aplicar esses conhecimentos na educação médica, haja vista que a modalidade torna-se tendência na medicina do futuro.

Indubitavelmente, a telemedicina tem vastas aplicações nos serviços de saúde e trouxe grandes contribuições no combate à pandemia. Em nossa experiência com a modalidade, conseguimos diminuir cerca de 90 consultas presenciais. Assim, contribuímos para a redução nas aglomerações em serviços de saúde, acarretando com menos pessoas expostas, tanto pacientes quanto profissionais da saúde, e desaceleração na propagação do vírus.


 


Palavras-chave


telemedicina; covid-19; telessaude;

Referências


1- CATAPAN, Soraia de Camargo; CALVO, Maria Cristina Marino. Teleconsultation: an Integrative Review of the Doctor-Patient Interaction Mediated by Technology. Rev. bras. educ. med.,  Brasília ,  v. 44, n. 1,  e002,    2020 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000100304&lng=en&nrm=iso>. access on  30  June  2020.  Epub Mar 30, 2020. https://doi.org/10.1590/1981-5271v44.1-20190224.ing.


2- Corrêa K, Arreguy E, Santos NB. Telemedicina: novos caminhos para os serviços de saúde. In: VII Esocite - Jornadas Latino-Americanas de Estudos Sociais das Ciências e das Teconologias; 2008; Rio de Janeiro, Brasil [access in 29 set. 2018]. Available from: Available from: http://www.necso.ufrj.br/esocite2008/textos.html


3- García Cuyàs F, Vàzquez N, de San Pedro M, Hospedales M. State of the art of the telemedicine. Where are we and what is pending to be done?. Estado actual de la telemedicina: ¿dónde estamos y qué nos queda por hacer?. Med Clin (Barc). 2018;150(4):150‐154. doi:10.1016/j.medcli.2017.06.058


4- MISHRA, V. Factors affecting the adoption of telemedicine during COVID-19. Indian J Public Health. 2020;64(Supplement):S234-S236. doi:10.4103/ijph.IJPH_480_20



5- PORTNOY, J.; WALLER, M.; ELLIOTT, T. Telemedicine in the Era of COVID-19. J Allergy Clin Immunol Pract. 2020 May;8(5):1489-1491. doi: 10.1016/j.jaip.2020.03.008. Epub 2020 Mar 24. PMID: 32220575; PMCID: PMC7104202.


6- Schmitz CAA, Gonçalves MR, Umpierre RN, Siqueirab ACS, D’Ávilab OP, Bastos CGM et al. Teleconsulta: nova fronteira da interação entre médicos e pacientes. Rev Bras Med Fam Comunidade 2017;12(39):1-7.



7- ZANOTTO, Bruna Stella et al . Avaliação Econômica de um Serviço de Telemedicina para ampliação da Atenção Primária à Saúde no Rio Grande do Sul: o microcusteio do Projeto TeleOftalmo. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 25, n. 4, p. 1349-1360,  Apr.  2020 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232020000401349&lng=en&nrm=iso>. access on  30  June  2020.  Epub Apr 06, 2020. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232020254.28992019.


8- MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA Nº 467, DE 20 DE MARÇO DE 2020. Dispõe, em caráter excepcional e temporário, sobre as ações de Telemedicina, com o objetivo de regulamentar e operacionalizar as medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional previstas no art. 3º da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, decorrente da epidemia de COVID-19., [S. l.], 20 mar. 2020. Disponível em: http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-467-de-20-de-marco-de-2020-249312996 . Acesso em: 20 maio 2020.