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Disfunção executiva em usuários de álcool com diferentes níveis de gravidade do consumo
Laura Motter Rosso, Patrícia Antunes Jacobs, Camila Rosa de Oliveira

Última alteração: 2018-09-03

Resumo


A disfunção executiva está relacionada à quantidade do consumo de álcool, sendo que indivíduos com maior uso tendem a apresentar menor desempenho executivo (Houston, et al., 2014). Dessa forma, o objetivo deste estudo foi comparar o desempenho executivo conforme o nível de gravidade do uso de álcool. Tratou-se de um estudo transversal e comparativo. Participaram 81 adultos com uso de álcool (80% homens), sendo divididos em três grupos a partir da gravidade do consumo: baixo risco (n = 24), médio (n = 31) e alto (n = 26). Os participantes foram recrutados por conveniência em uma unidade de tratamento ambulatorial de um município da região norte do estado do Rio Grande do Sul. Excluíram-se os participantes que não preencheram o protocolo de pesquisa. A amostra respondeu aos instrumentos: Questionário Sociodemográfico, com questões sobre gênero, idade e escolaridade; Questionário para Triagem do Uso de Álcool, Tabaco e outras Substâncias (ASSIST), utilizado para verificar a gravidade do consumo; Tarefas de fluência verbal (FAS e TFVS - Animais) e Teste dos Cinco Dígitos (FDT), os quais avaliaram o funcionamento executivo. A comparação entre grupos foi realizada por meio de ANOVA, com post hoc Scheffe. Os grupos não diferiram quanto à idade [F(2,78) = 2,512; p = 0,088] e à escolaridade [F(2,78) = 1,475; p = 0,235]. Em relação ao FAS, o grupo de alto risco evocou menos palavras que o grupo de baixo (p = 0,045) e de médio risco (p = 0,013), além de ter cometido maior número de erros em comparação ao grupo de baixo risco (p ≤ 0,001). Na TFVS, o grupo de alto risco evocou menor número de palavras em comparação aos grupos de baixo (p = 0,033) e de médio risco (p = 0,018). Quanto ao FDT, o grupo de médio risco apresentou menor tempo para responder ao cartão Alternância do que o grupo de alto risco (p = 0,043). Os resultados indicaram que adultos com maior gravidade do consumo de álcool apresentaram maior disfunção executiva, especificamente nos aspectos de flexibilidade cognitiva, controle inibitório e velocidade de processamento, em comparação com aqueles de menor risco. A literatura aponta que o tempo de abstinência também está relacionado ao desempenho executivo, que tende a aumentar após um ano sem consumo do álcool (Stavro, Pelletier, & Potvin, 2012). Assim, sugerem-se estudos longitudinais que abordem o funcionamento executivo de diferentes usuários de álcool, a fim de promover intervenções mais adequadas.

Referências


Houston, R. J., Derrick, J. L., Leonard, K. E., Testa, M., Quigley, B. M., & Kubiak, A. (2014). Effects of heavy drinking on executive cognitive functioning in a community sample. Addictive Behaviors, 39(1), 345–349. doi:10.1016/j.addbeh.2013.09.032

Stavro, K., Pelletier, J., & Potvin, S. (2012). Widespread and sustained cognitive deficits in alcoholism: a meta-analysis. Addiction Biology, 18(2), 203–213. doi:10.1111/j.1369-1600.2011.00418.x