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Morte: o Começo da Vida
Natan Klein, Vinícius Terra Mendes, Icaro Bonamigo Gaspodini

Última alteração: 2018-09-03

Resumo


Introdução: a morte é um fenômeno inerente ao ser humano; bem compreendida por adultos idosos, porém, nem sempre aceita (Frumi & Celich, 2005). Objetivo: investigar como a morte é significada na velhice. Método: realizou-se uma entrevista semiestruturada com E.M, uma idosa de 85 anos, do gênero feminino, institucionalizada há 3 anos em uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) da cidade de Passo Fundo. Foi casada durante 65 anos e teve 7 filhos; é atualmente viúva. Declara ser da religião evangélica e apresenta um quadro clínico com: infecção urinária, diabetes, cegueira e paraplegia. A entrevista foi composta inicialmente por 7 questões, sendo formulada uma questão adicional durante seu transcorrer. Ainda, aplicou-se um questionário elaborado pelos investigadores, com questões sobre percepção subjetiva de saúde e sentido que a crença religiosa dá à sua vida. Devido à cegueira, E.M não foi capaz de assinar o termo de consentimento livre e esclarecido, portanto, o mesmo foi assinado pela ILPI responsável. Os dados da entrevista foram examinados à luz da literatura, sendo feita uma análise interpretativa dos mesmos. Resultados: das respostas de E.M emergem 3 categorias acerca do significado da morte: o começo da vida, algo natural e um descanso. Todas as respostas se relacionaram tematicamente à sua crença religiosa, a qual parece ser muito importante para a entrevistada. E.M relatou ótima percepção de saúde e um significado extremo que sua crença dá à sua vida. Discussão: o significado da morte como algo natural e como um descanso são categorias já apontadas pela literatura (Giacomin et al., 2013; Soares et al., 2009) Entretanto, a morte como o começo da vida emerge como uma nova categoria, fortemente relacionada à crença religiosa (Barbosa, Melchiori, & Neme, 2011). Assim, E.M utiliza-se amplamente dessa crença como uma estratégia de enfrentamento, a qual é apontada na literatura como geradora de resultados favoráveis, dentre os quais, há relações com menores sintomas depressivos e melhor capacidade cognitiva (Bonelli & Koenig, 2013; Hosseini, Chaurasia, & Oremus, 2017; Ribeiro, Borges, Araújo, & Souza, 2017). Considerações finais: esta investigação, em seu valor exploratório, aponta uma nova categoria de significado da morte, a morte como o começo da vida, a qual ilustra e demonstra como uma crença religiosa pode se constituir em uma eficaz estratégia de enfrentamento, geradora de sentido para vida e para a morte.


Referências


Barbosa, C. G., Melchiori, L. E., & Neme, C. M. B. (2011). O significado da morte para adolescentes, adultos e idosos. Paidéia, 21(49), 175-185. doi:10.1590/s0103-863x2011000200005

Bonelli, R. M., & Koenig, H. G. (2013). Mental Disorders, Religion and Spirituality 1990 to 2010: A Systematic Evidence-Based Review. Journal of Religion and Health, 52(2), 657-673. doi:10.1007/s10943-013-9691-4

Frumi, C., & Celich, K. L. S. (2006). O olhar do idoso frente ao envelhecimento e à morte. Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, 3(2), 92-100. doi: 10.5335/rbceh.2012.78

Giacomin, K. C., Santos, W. J. dos, & Firmo, J. O. A. (2013). O luto antecipado diante da consciência da finitude: A vida entre os medos de não dar conta, de dar trabalho e de morrer. Ciência & Saúde Coletiva, 18(9), 2487–2496. doi:10.1590/s1413-81232013000900002

Hosseini, S., Chaurasia, A., & Oremus, M. (2017). The Effect of Religion and Spirituality on Cognitive Function: A Systematic Review. The Gerontologist. doi:10.1093/geront/gnx024

Ribeiro, M. dos S., Borges, M. da S., Araújo, T. C. C. F. de, & Souza, M. C. dos S. (2017). Estratégias de enfrentamento de idosos frente ao envelhecimento e à morte: Revisão integrativa. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 20(6), 869-877. doi:10.1590/1981-22562017020.170083

Soares, J. A., Silva, R. F., Rosa, L. J., Galvão, É. A., & Ribeiro, R. N. (2009). O idoso institucionalizado e a reflexão sobre a própria morte. Revista Kairós Gerontologia, 12(1). Recuperado de https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/2784


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