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Emergência de Sífilis congênita em Passo Fundo-RS
Bruna de Macedo, Deniz Anziliero

Última alteração: 2015-11-30

Resumo


Introdução: A sífilis congênita é considerada um tradicional evento sentinela para monitoramento da Atenção Primária em Saúde (APS). Por se tratar de uma doença de fácil prevenção, a sua presença, sugere falhas no funcionamento da rede de atenção básica e/ou da sua integração com o sistema de saúde. A OMS estima 1 milhão de casos de sífilis por ano entre as gestantes e preconiza que a detecção e o tratamento seja realizados oportunamente destas e de seus parceiros sexuais portadores da sífilis, considerando que a infecção pode ser transmitida ao feto, com graves implicações. A prevalência de sífilis em gestantes é monitorada por meio de estudos transversais em parturientes com representatividade nacional e regional. No último estudo entre parturientes, realizado em 2010-2011, com amostra de aproximadamente 36 mil participantes, distribuídas entre as cinco macrorregiões brasileiras, estimou-se a prevalência de sífilis em gestantes em 0,85%. Distribuída pelas regiões do país, a prevalência encontrada nesse estudo foi de 1,05% (Norte), 1,14% (Nordeste), 0,73% (Sudeste), 0,48% (Sul) e 1,20% (Centro-Oeste). Em 2013, as autoridades de saúde foram alertadas, uma vez que, em todas as regiões observou-se um aumento considerável na notificação de sífilis em gestantes em relação aos anos anteriores, oscilando entre 14,8% (Nordeste) e 44,7% (Sul).

Objetivo: Descrever o perfil clínico e epidemiológico da incidência de Sífilis congênita no município de Passo Fundo-RS.

Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, baseado em dados secundários, coletados junto ao Núcleo de Vigilância Epidemiológica do município de Passo Fundo - RS, a partir das fichas de notificação de Sífilis Congênita do Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde do Brasil. Foram incluídos todos os casos notificados de Sífilis Congênita no período compreendido entre janeiro de 2007 e dezembro de 2014. As variáveis analisadas relativas à caracterização foram sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, realização de pré-natal e realização de tratamento adequado.

Resultados: A sífilis congenital quando abordada de maneira correta pela atenção básica em saúde, durante o pré-natal, tem o potencial de reduzir sua incidência a menos de 0,5/1.000 nascidos vivos.  A doença, além da mortalidade, prematuridade, baixo peso ao nascer e complicações agudas,  também é responsável por deformidades, lesões neurológicas e outras sequelas. Dentro de todo o período avaliado, entre 2007 a 2014 o município de Passo Fundo -RS apresentou uma taxa de incidência de 0,99 casos/1.000 nascidos vivos, considerado ligeiramente acima do esperado pelo Ministério da Saúde. Entretanto, a partir de 2011, seguindo uma tendência do restante do País, a incidência de sífilis congênita  vem apresentando uma elevação significante, com 19 casos/10.000 nascidos vivos, considerada uma taxa extremamente elevada e inaceitável para esta enfermidade. Se considerarmos que, estes dados foram obtidos do Sistema nacional de  agravos de notificação (Sinan) e que, estimasse que no Brasil exista uma taxa de sub-registro de doenças entorno de 60%, acredita-se que o problema seja mais grave do que o observado no presente estudo. Das gestantes infectadas, 69% estão concentradas na faixa etária dos 20 aos 34 anos de idade, sendo que destas, 38% possuem entre a 5ª e 8ª série incompleta com apenas 15% possuindo o ensino médio completo. Ainda que, a incidência encontrada esteja elevada para os padrões aceitáveis, 83% das gestantes realizaram o exame pré-natal, sendo que 67% dos diagnósticos de sífilis foram realizados nesta fase. Apesar de, a grande maioria das gestantes submeter-se ao pré-natal, 85% das gestantes não passaram pelo tratamento e/ou o realizaram de foram inadequada, fator este que, provavelmente esteja refletindo na elevada incidência encontrada.

Conclusão: Apesar do aumento das coberturas de pré-natal nas últimas décadas, ainda se observa uma baixa efetividade dessas ações para a prevenção da sífilis congenital, principalmente nos últimos anos. Os resultados encontrados reforçam a necessidade de medidas corretivas para que o exame pré-natal seja realizado de uma forma mais eficaz e abrangente.

Palavras-chave: Exame pré-natal, Saúde da Família, Sífilis

 

Referências:

NEWMAN, Lori et al. Global Estimates of Syphilis in Pregnancy and Associated Adverse Outcomes: Analysis of Multinational Antenatal Surveillance Data. PLOS Medicine. California (US), v. 10, p. 1-7, 2013.

INTROCASO, Camille E. et al. Missed Opportunities for Preventing Congenital Syphilis Infection. Journal of the American Sexually Transmitted Diseases Association. Carolina do Norte (US), v. 40, p 431, 2013.

GOMEZ, Gabriela B. et al. Untreated maternal syphilis and adverse outcomes of pregnancy: a systematic review and meta-analysis. Bulletin of the World Health Organization. Suíça, v.91, p. 217–226, 2013.


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