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Ocorrência de HIV notificados no Município de Passo Fundo – RS
Mauricio Silva da Rosa, Dalcineia Gomes Scalcon

Última alteração: 2015-12-01

Resumo


Introdução: Estima-se que, em todo o mundo, 35,3 milhões de pessoas vivem com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e que aproximadamente dois milhões de novos indivíduos são infectados anualmente. A África Subsaariana é a região global mais atingida com 22,5 milhões de infectados, contabilizando mais de um milhão de mortes relacionadas anualmente. Na América Latina, a epidemia de AIDS mantém uma frequência constante nos últimos anos, com uma prevalência estipulada de 0,6%, sendo que o número de pessoas vivendo com HIV esteja estimado em 1,4 milhões em 2009. A América Latina é a região que lidera as atividades de prevenção do HIV-1 pelo sistema de saúde pública. Em particular, o Brasil é mundialmente reconhecido pelos programas do Ministério da Saúde (MS), por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e considerado pioneiro pelo acesso universal e gratuito na prevenção e controle do HIV, o que vem contribuindo até então para combater a epidemia no país. Dessa forma, o trabalho visa determinar a incidência de HIV no município de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, entre os anos de 2007 e 2014.

Metodologia: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, baseado em dados secundários, coletados junto ao Núcleo de Vigilância Epidemiológica do município de Passo Fundo - RS, a partir das fichas de notificação de AIDS segundo o ano de diagnóstico do Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. Foram incluídos todos os casos diagnosticados de HIV no período compreendido entre janeiro de 2007 e dezembro de 2014. As variáveis analisadas foram sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, município de residência e exposição.

Análise de dados: Observa-se que, ao longo dos últimos oito anos, a taxa de notificação de HIV em Passo Fundo manteve uma taxa média de incidência constante (62,3 ± 10,2). As faixas etárias com maior abrangência estão entre 20-59 anos, com mais de 90% dos diagnósticos. A frequência de exposição predominante observada nas relações sexuais, concentra-se principalmente nas relações heterossexuais (73% casos), seguido da relação homossexual (12%), provavelmente relacionada à baixa utilização de preservativos. Ainda que, ao longo dos últimos anos, tenha-se movido esforços com campanhas de prevenção e orientação da população sobre a transmissão da doença, a incidência de HIV tem se mantido constante no município, assim como no restante do Estado do Rio Grande do Sul. A população mais atingida representa os homens, com 258 casos diagnosticados nestes últimos oito anos analisados. Assim como a incidência, a mortalidade associada a AIDS vem se mantendo constante ao longo do período analisado em nível nacional. Ainda que, o município de Passo Fundo apresente uma condição econômica de destaque e uma boa estrutura de saúde, a qual é considerada referência na medicina de alta complexidade, a falta de adesão e de comprometimento com a notificação de casos de HIV ainda é uma realidade, uma vez que a taxa de mortalidade do município é duas vezes maior que a média nacional, 11,6/100.000 habitantes e 5,7/100.000 habitantes respectivamente.  Dessa forma, observando-se os indicadores apresentados no Ranking dos 100 municípios nacionais com mais de 100 mil habitantes de 2009-2013, divulgado pelo Ministério da Saúde, em que o município ocupa a 79ª posição com uma taxa de detecção de 29,1/100.000 habitantes, pode-se dizer que Passo Fundo possui indicadores de diagnóstico de AIDS acima da média nacional (20,5) porém inferior a estadual (41,3).

Considerações Finais: O presente trabalho ressalta a importância de empenhar esforços para que profissionais da área da saúde realizem a notificação do HIV, melhorando os bancos de dados de incidência, mortalidade, diagnósticos realizados para que se consiga controlar e combater a epidemia de HIV.

 

 


Palavras-chave


HIV, AIDS, Doenças transmissíveis, SINAN.

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