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Sucessos e desafios da campanha Nacional de Vacinação para o HPV
Dalcineia Gomes Scalcon, Bruna Neckel, Luana Jung

Última alteração: 2015-12-01

Resumo


Introdução: O câncer de colo de útero ainda é considerado um importante problema de saúde populacional, particularmente em regiões menos favorecidas do mundo, ainda que, programas para detecção precoce com base no exame de Papanicolau terem sido propostos há décadas. Estimativas mundiais apontam aproximadamente 530 mil casos novos e 265 mil mortes por câncer do colo do útero ao ano, sendo que 88% desses, nos países em desenvolvimento. No mundo e no Brasil, se constitui como a terceira causa de morte por câncer entre mulheres. No Rio Grande do Sul, são estimados em 2014 cerca de 840 casos de câncer de colo uterino, representando um risco de 14,63 casos a cada 100 mil mulheres. Neste sentido, a vacinação continua sendo uma das intervenções mais custo-efetivas e seguras, assegurando-lhe participação obrigatória em programas de saúde populacional. Sua efetividade está condicionada a elevadas coberturas e à equidade do acesso às vacinas, fatores que propiciam tanto a proteção individual como a imunidade coletiva.

Objetivo: Avaliar a cobertura vacinal da vacina para o HPV durante a implementação da campanha de vacinação iniciada pelo Ministério da Saúde em 2014.

Metodologia: O trabalho consiste em uma pesquisa descritiva com base em dados coletados no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações SI-PNI do Ministério da Saúde, e corroborados pela Vigilância em Saúde do município de Passo Fundo – RS. Para comparação dos dados, os indicadores utilizados foram separados em três segmentos: nacional, estadual e municipal e de acordo com a dose da vacina.

Análise de dados: O Ministério da Saúde do Brasil (MS) anunciou que a partir do início do ano escolar de 2014 disponibilizaria, na rede pública de saúde, vacinação contra HPV (Papilomavírus humano) com a vacina quadrivalente HPV 6, 11, 16, 18. Na ocasião, a vacinação abrangeria meninas de 10 e 11 anos, no esquema vacinal, padrão de bula, 0 dia, 60 dias e 180 dias. Além da tradicional rede de unidades de saúde pública, foi incorporada à campanha a rede escolar. No mesmo ano anunciou, mesmo contrariando a posologia de bula e, aprovação da Anvisa, que estenderia o esquema vicinal para , 0 dia, 6 meses e 60 meses, incorporando mais uma faixa de idade (11, 12 e 13 anos). No Estado, ao todo, foram quase 10 mil entidades de ensino no Estado que receberam equipes de saúde para a aplicação da dose de acordo com um calendário estabelecido pelos municípios. De acordo com os indicadores, observa-se que a nível nacional, a cobertura vacinal atingiu 100 % durante a 1ª dose e 98,41% na 2ª dose, ou seja, acima da meta estipulada de 80%. No Rio Grande do Sul, a 1ª dose atingiu índices de 98,41% e de 69,15% na 2ª dose de cobertura vacinal, mostrando um significativo decréscimo, comprometendo a meta estabelecida de 80%. Em Passo Fundo, seguindo o cenário nacional, a cobertura atingiu uma taxa de 100 % na 1ª dose e de 66,92% na 2ª dose. Desta forma, uma vacinação que envolve escolas, injeção intramuscular, adolescentes, doenças ligadas a órgãos genitais, autorização de pais ou responsáveis não é tarefa simples e rotineira. Assim que, será necessário fornecer informações atuais, de qualidade e com consistência para as famílias, para os profissionais das escolas, para os profissionais de saúde, para os alunos e, principalmente para a mídia. Só assim, as jovens se sentirão seguras e poderão aderir de modo consciente a este valioso mecanismo de prevenção primária de doença infecciosa.

Conclusão: Embora as campanhas tenham sido bem aceitas na 1ª dose, a adesão caiu significativamente durante a 2ª dose o que pode ser constatado também nos índices do presente ano, fato que deve ser questionado e analisado.

Palavras-chave: HPV, câncer, Vacinação.

 

Referências

BAKER, M.L., et al. Paving pathways: Brazil’s implementation of a national human papillomavirus immunization campaign. Revista Panamericada de Salud Publica, v. 38, n.2, 2015.

Pan American Health Organization. Cervical Cancer in the Americas. Washington, DC: PAHO; 2014.

DOBSON, S.R., et al. Immunogenicity of 2 doses of HPV vaccine in younger adolescents vs 3 doses in young women: a randomized clinical trial. Journal of the American Medical Association., v. 309, n.17, p.1793–802, 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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