Portal de Conferências da IMED, V Mostra de Trabalhos do V Congresso Internacional de Propriedade Intelectual, Gestão da Inovação e Desenvolvimento - “A

Tamanho da fonte: 
PROTEÇÃO DE DADOS E PRÁTICAS DE CORRUPÇÃO: UMA ANALISE DO SISTEMA DE ERP CRIPTOGRÁFADO NO CASO DA ODREBCH
Thais Dagostini Santin, Vinícius Borges Fortes

Última alteração: 2017-05-03

Resumo


Os sistemas de ERP (Enterprise Resource Planning) são ferramentas que auxiliam na gestão de empresas. Trata-se de um software que gerencia várias atividades empresárias, por meio da organização e compartilhamento de informações. Permite que as empresas armazenem e centralizem em um único sistema inúmeros dados, que vão desde processos operacionais até o gerenciamento da empresa, facilitando e tornando mais rápida e ágil a analise dessas. A empresa Odebrecht implementou no inicio dos anos 90 um sistema de ERP denominado My Web Day, que foi substituído e supostamente desativado em 2012. No entanto, em uma investigação a polícia federal descobriu que esse sistema foi criptografado e estava sendo utilizado no gerenciamento dos pagamentos de propinas. Verifica-se, assim, que tal software era destinado a realizar a “contabilidade paralela” da empresa. Diante disso, indaga-se como o uso de sistemas de ERP criptografados podem auxiliar prática de crimes de corrupção. Para tanto, procura-se analisar brevemente os sistemas de Enterprise Resource Planning, bem como demostrar quais práticas corruptivas a criptografia dos sistemas ERP propicia. O método utilizado foi o hipotético dedutivo, por meio da técnica de pesquisa bibliográfica, em fontes primárias e secundárias. O uso de sistemas ERP traz inúmeras vantagens para as empresas, ao centralizar informações e permitir a comunicação entre setores, auxilia na tomada de decisão dos gestores, que terão acesso a um banco de dados organizado e confiável. Esse sistema tornou-se conhecido na década de 90, quando grandes empresas passaram a implementá-lo. Tendo em vista a relevância das informações que se encontram disponíveis nessa base de dados, torna-se necessário meios de garantir a segurança das informações e impedir o acesso não autorizado, a criptografia surge como uma solução a esse problema. Contudo, algumas empresas podem valer-se desse sistema para cometer crimes de fraude contra o fisco e corrupção, como é o caso da empresa brasileira Odebrecht, aumentando a criptografia desses, a fim de dificultar o acesso. Praticas corruptivas configuram um grave crime que se encontra presente em todas as sociedades, em maior ou menor escala, e traz consigo grandes danos a sociedade, que padece com recursos financeiros escassos, enquanto boa parte dos recursos públicos são desviados. A Odebrecht fazia uso de um sistema de ERP criptografado para o gerenciamento de propinas e “contabilidade paralela” da empresa, favorecendo, assim, as praticas corruptivas. O My Web Day, permitia que a empresa laçasse e controlasse seus contratos bem como suas contas bancarias paralelas, ali eram colocadas todas as informações relativas aos pagamentos de propinas. Os softwares de sistemas de ERP são criptografados em sua fase de desenvolvimento, a fim de garantir a segurança dos dados ali dispostos. Contudo, empresas podem valer-se de ERP criptografado para cometer crimes de corrupção, como pagamento por vantagem ilícita ou fraude contra o fisco, dificultando a descoberta dessas práticas.


Acesso livre à esta Conferência inicia em 2019-12-31.