Portal de Conferências da IMED, V Mostra de Trabalhos do V Congresso Internacional de Propriedade Intelectual, Gestão da Inovação e Desenvolvimento - “A

Tamanho da fonte: 
Políticas Públicas e Tecnologia de Gestão na Pequena Propriedade Rural na Região do Alto Uruguai
Caroline Ceni, Vera Maria Calegari Detoni

Última alteração: 2017-05-03

Resumo


A pesquisa desenvolvida analisou as pequenas propriedades rurais da Região do Alto Uruguai Gaúcho, composta por pequenas e médias propriedades rurais. O método utilizado neste estudo foi o analítico-descritivo, através da utilização de bibliografia. Objetivou-se analisar como a tecnologia de gestão incentivada por políticas públicas podem transformar as características da propriedade familiar e incentivar o desenvolvimento rural. A região tem ocupação baseada na agricultura em médias e pequenas propriedades, havendo pouca evolução tecnológica e de gestão. Os casais passaram a ter menos filhos e os jovens começam a migrar para as cidades em busca de emprego, diante da falta de incentivo para a permanência no campo. Tendo a região pequenas propriedades e pouco conhecimento de gestão são necessárias políticas específicas que atendam tais demandas e aumentem a renda, motivando as próximas gerações e o desenvolvimento. Apesar das medidas de incentivo desenvolvidas no meio rural para promover a qualidade e fixar o homem no campo, a forma como são destinados tais recursos impedem o atingimento das metas. É necessário analisar as peculiaridades de cada região e observar diferentes fontes de gerenciamento, a fim de explorá-los de maneira efetiva e rentável. É necessária a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos pequenos proprietários rurais para aumentar sua produtividade e isso requer metodologias inovadoras como novas formas de gestão rural com a capacitação dos mesmos incidindo na maneira de explorá-la. Na região do Alto Uruguai são necessárias ações que capacitem o pequeno produtor para que esse possa gerir sua propriedade de maneira sustentável e competitiva. Ferramentas gerenciais inadequadas à realidade da agricultura familiar, baixo investimento em P&D e baixo nível de educação formal dos agricultores geram uma cultura de que não são necessários investimentos e políticas públicas aos pequenos produtores. Deve-se utilizar outras ações para o escoamento da produção agrícola familiar, como aquelas que visem gerar informações sobre os mercados reais ou potenciais para os produtos dessas famílias e a capacitação gerencial dos agricultores para que possam se inserir no agronegócio. Considerando a heterogeneidade da pequena propriedade rural e das regiões deve-se utilizar instrumentos de gestão que propicie o correto desenvolvimento do setor e dos produtores. Na região do Alto Uruguai deve-se levar em conta a formação histórica e cultural que no momento da colonização teve um alto índice de desmatamento e, atualmente, faz necessária a inserção dessas pequenas propriedades a partir de uma gestão sustentável. A agricultura familiar deve ser protegida pelo setor público, o que pode ser realizado a partir de políticas públicas de gestão da propriedade rural, como a adoção de práticas administrativas que possibilite ao agricultor um melhor gerenciamento de suas atividades e qualificação educacional. Como exemplo cita-se o Projeto “Balde Cheio”, desenvolvido no município de Flórida Paulista (SP), que escolheu uma pequena propriedade rural com produção de leite para acompanhamento especializado da produção e instrução tecnológica e de gestão ao produtor rural, que gerou um aumento da produtividade além de um produto com mais qualidade, rentabilidade e maior disposição de continuidade da atividade produtiva leiteira; isso demonstra uma tentativa coerente de política pública voltada ao pequeno produtor, que pode ser desenvolvida em regiões como a do Alto Uruguai. A partir de medidas específicas voltadas às necessidades de cada região os pequenos proprietários rurais agregarão ao seu produto valor de mercado e melhor qualidade, tendo conhecimento teórico e prático do funcionamento do mercado agrícola. Os ganhos se realizarão com ferramentais gerenciais adequadas. São necessárias políticas públicas voltadas a capacitação dos agricultores em gestão, a fim de que reconheçam a inadequação dos sistemas de planejamento e aprimorem a produção. O setor público deve desenvolver políticas no sentido de que no meio rural se desenvolva com conhecimento tecnológico-educacional para que seus empreendimentos ganhem competitividade. Tais ações dependem de equipes multidisciplinares que atendam as especificidades de cada região, com apoio do setor público e privado.


Acesso livre à esta Conferência inicia em 2019-12-31.