Portal de Conferências da IMED, V Mostra de Trabalhos do V Congresso Internacional de Propriedade Intelectual, Gestão da Inovação e Desenvolvimento - “A

Tamanho da fonte: 
VISEIRA VIRTUAL: ALGORITMOS E MARKETING NO ACESSO ÀS REDES SOCIAIS NA INTERNET
Romário Becker Alcântara, Taynara Schmitz, Vera Lúcia Spacil Raddatz

Última alteração: 2017-05-03

Resumo


INTRODUÇÃO

As empresas que gerenciam as redes sociais têm comercializado informações para outras empresas utilizando-se dos bancos de dados e estatísticas de seus usuários de perfis e interanautas.

As redes sociais virtuais são arquitetadas por um determinado algoritmo que determina que o usuário apenas visualize conteúdos afins, sem o embate democrático de ideias tão saudável à democracia. Conforme Pariser (2012, p. 77), “os filtros personalizados podem ao mesmo tempo, limitar a variedade de coisas às quais somos expostos, afetando assim o modo como pensamos e aprendemos.”

Não somente o uso indevido de informações e o algoritmo que permite que os usuários apenas enxerguem o que queiram, mas também o papel das redes e mídias sociais virtuais precisa ser rediscutido, pois já há pesquisas determinando que, entre o público mais jovem, considerável parte se informa por meio destas redes, restringindo a mídia eletrônica e impressa e preferindo as mídias virtuais e redes sociais, tais como facebook, twitter, sites e blogs.

OBJETIVOS

O objetivo central deste texto é discutir sobre questões relativas ao contexto digital e à sociedade da informação quanto aos seguintes aspectos: condutas das empresas ao comercializarem, sem autorização, conteúdos pertinentes aos usuários de redes e mídias sociais virtuais; arquitetura da rede e dos algoritmos que cegam os usuários e os condicionam a um estado virtual no qual eles apenas enxergam as suas preferências; defesa da ideia de que a divergência é necessária para guarnecer a liberdade de expressão e permitir a difusão de informações e conhecimento.

METODOLOGIA

Este estudo, de caráter qualitativo, é uma pesquisa bibliográfica ao “GT 3 – Regulação e Tecnologia para a Democracia na Sociedade da Informação”. Para a análise, utilizar-se-á legislação, jurisprudência e doutrina jurídicas, assim como apoio em material de pesquisa de outros ramos de conhecimento – em especial, referencial bibliográfico na esfera de informática, telecomunicações e sociologia.

FUNDAMENTOS TEÓRICOS

Enxergar parte da realidade permite uma maior polarização social: ao invés de diferentes grupos encontrarem meios-termos e consenso, o caráter sectário de tal algoritmo permite a hiperindividualização. Pariser (2012, p. 170) afirma que “as tecnologias que favorecem a personalização só vão ficar mais fortes nos próximos anos. Os sensores que recolhem novos sinais pessoais e fluxos de dados estarão cada vez mais inseridos na vida cotidiana”. Desse modo, a tecnologia identifica gostos e preferências de forma rápida e hábil e “vai tratar de satisfazer – sem seu pedido e sem fazer perguntas – seu impulso consciente ou insconsciente na direção de seu grupo de pares.” (Bauman, 2016, p. 87).

A sociedade da informação ou sociedade em rede é o tempo intemporal, o tempo do agora (CASTELLS, 2015) em que o fluido e a superficialidade superam as certezas e a estabilidade. O direito humano à comunicação e à privacidade entram em conflito, do mesmo modo em que a centralidade da tecnologia na sociedade modifica as práticas dos cidadãos e desafia o Direito.

CONCLUSÃO

Uma adequada regulação e regulamentação dessas redes e mídias sociais virtuais poderiam permitir que o usuário comum, que sequer possui noção de que informações pessoais e íntimas suas estão sendo comercializadas, vivenciasse uma experiência mais real mediante um acesso mais democrático e integral a estes meios.

Assim, é fundamental definir alguns parâmetros – ou ainda, até mudar o modelo atual de negócios, tais como: (a) impedir e penalizar quem comete ilegalmente ‘tráfico de informações’, com direito a ressarcimento à vítima; (b) modelos de negócios que cobrem quantias modestas para usuários utilizarem suas plataformas, ao invés de modelos gratuitos cuja rentabilidade está vinculada à publicidade agressiva mediante algoritmos que direcionam o marketing ao indivíduo; e (c) criar novos algoritmos que dividam a atenção do usuário em três: um terço para o que de fato o usuário possui como preferência, um terço para conteúdos que estão sendo mais acessados pela média geral de usuários, e um terço de conteúdos completamente aleatórios.

Por fim, mediante a adoção de algumas medidas supra referidas, poder-se-á mitigar alguns males (pós) modernos da atividade cibernética – marcada pelo sectarismo de seus usuários, que estão vendo a realidade mediante uma ‘viseira virtual’ a qual eles sequer possuem noção que estão utilizando.


Acesso livre à esta Conferência inicia em 2019-12-31.