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A INDÚSTRIA CRIATIVA VERDE: INOVAÇÃO E PRESERVAÇÃO FRENTE AOS RISCOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Bruno Lima Silva, André Rafael Werymüller

Última alteração: 2017-05-03

Resumo


Logo após a Segunda Guerra Mundial, desencadeou-se um processo de maximização na produção de bens e serviços em face da grande capacidade produtiva montada para atender as necessidades materiais do conflito.  Essa realidade inquietante fica evidente em virtude da enorme quantidade e diversidade de produtos tecnológicos e de consumo existentes. O modelo produtivo adotado trouxe consigo alguns benefícios, atrelado a isto as novas tecnologias que aprimoraram este processo. Entretanto, diversos riscos sugiram para o meio ambiente e para a saúde humana A inovação tecnológica incessante e suas consequências, foi um dos argumentos para a formulação do diagnóstico da Sociedade de Risco do sociólogo alemão Ulrich Beck. Nesse panorama a sociedade aumenta a cada dia seu aparato tecnológico e depois precisa conviver com novos riscos. O modelo atual de desenvolvimento não é compatível com a realidade mundial, pois a sustentabilidade e a preservação ambiental somete serão possíveis com uma mudança profunda nessa relação. A Sociedade de Risco representa em si um alerta para as consequências do modelo adotado. Em meio a este cenário paradoxal, o conceito de Indústria Criativa Verde emerge como uma alternativa, já que se propõem a dar continuidade às atividades econômicas, incorporando os princípios ambientais na matriz produtiva para adaptar o modelo atual. Esse modelo leva em conta a realidade e as limitações da sociedade contemporânea, tendo como pilares a criatividade e a inovação. O objetivo deste artigo é verificar a aplicação da Indústria Criativa dita “Verde” como ferramenta para garantir a tutela ambiental e conciliar os interesses econômicos, buscando a efetivação de uma perspectiva geralmente designada por sustentabilidade. Justifica-se a presente pesquisa pela necessidade em discutir a construção de um novo modelo de integração entre economia e meio ambiente para, através de um processo inovador, garantir a preservação ambiental e viabilizar as atividades econômicas. A presente pesquisa utilizou-se da Teoria dos Sistemas Autopoiéticos de Niklas Luhmann para explicar o contexto e as tensões sistêmicas entre Economia e Direito. Os resultados apontaram as grandes tensões existentes entre modelo econômico e a sustentabilidade. Assim, a Indústria Criativa está no centro da discussão devido aos elementos inovadores que são tipicamente produzidos por seus criadores. Essa designação teve início na Austrália na década de 80 e ganhou visibilidade mundial após sua aplicação no Reino Unido. O termo “Verde” não pode ser incorporado com uma mera rotulagem, pois significa um comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Diferente da econômica tradicional, a economia criativa desenvolve-se no potencial individual e coletivo de produção de bens, serviços, modelos e processos criativos com valor econômico agregado. A Economia é essencial como sistema social e para garantir o desenvolvimento, mas os atuais modelos de produção e utilização excessiva dos recursos naturais gera efeitos negativos. A modificação desses modelos é necessária para harmonizar a realidade e as limitações existentes. A Indústria Criativa Verde é fundamental neste processo modificativo, tanto do ponto de vista econômico, quanto ambiental. Existem experiências positivas com o uso desse novo modelo que liga a inovação ao cuidado ambiental, buscando a efetivação da sustentabilidade. Neste contexto, dentre as ditas indústrias criativas, as de software (programas e soluções lógicas) apresentam as melhores condições para a incorporação do termo “Verde” aplicando os princípios ambientais por causa dos aspectos de usabilidade, utilidade e velocidade no desenvolvimento de produtos. Além disso, esse ramo valoriza mais o capital humano (criatividade) do que a quantidade de bens de produção. A evolução da indústria criativa de software do Brasil representa valores expressivos para o mercado interno. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software, em 2004, essa indústria obteve um faturamento de US$ 1,74 bilhões, em 2005 de US$ 2,72 bilhões e em 2006 alcançou a cifra de US$ 3,26 bilhões, o que equivale a 1,3% do mercado mundial e 43% do mercado latino americano. Percebe-se que a incorporação dos princípios criativos e ambientais ao mesmo tempo vai desencadear uma mudança no modelo produtivo industrial, tendo em vista que a maioria das empresas utiliza-se de softwares para produzir produtos em massa. A Indústria Criativa Verde mostra-se uma tentativa com condições reais de encaminhar problemas ligados à preservação ambiental e ao desenvolvimento econômico. O sistema do Direito é fundamental nesse processo, pois pode organizar os novos modelos de desenvolvimento produzindo regras indutoras.

Palavras Chave: Direito; Indústria Criativa; Inovação; Sustentabilidade.


Acesso livre à esta Conferência inicia em 2019-12-31.